sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Você tem certeza de que vai votar no PT?

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Você sabia que o PT é o fundador e integrante até hoje de uma afiliação internacional chamada "Foro de São Paulo"? Essa afiliação foi criada em 1990 com a finalidade de reunir vários partidos de esquerda da América Latina, juntamente com organizações revolucionárias terroristas e narcotraficantes como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

E você sabia que chefes de estado esquerdistas participam regularmente das reuniões do Foro? As poucas pessoas que sabem disso costumam a dizer que o Foro é apenas um grupo inofensivo de debates. Mas você sabia que os integrantes desse Foro assinam atas e resoluções destas reuniões?

Aliás, a importância desse Foro é tão grande para seus integrantes que quando o Foro completou 15 anos, o sr. Luís Inácio Lula da Silva, então presidente do Brasil, fez um discurso (que chegou a constar na página oficial do governo) ressaltando a relevância do Foro na tomada de decisões e formulação de estratégias em cada governo esquerdista afiliado. Ele chegou a citar afirmar ainda que a eleição de Hugo Chávez na Venezuela muito se deveu ao que se confabulou no Foro (Ver: "Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na celebração dos 15 anos do Foro de São Paulo").

Você sabia que apenas em 2005 o Foro proibiu formalmente a participação de organizações criminosas como as FARC? E você sabia que o sr. Lula já defendeu publicamente a ideia de as FARC se tornarem um partido político?

Você sabia que o PT é um partido de origem e orientação socialista e que, como todo bom socialista, simpatiza com qualquer país ou organização que odeie os EUA? É por isso que o PT não vê mal em dialogar com grupos terroristas islâmicos e governos autoritários mulçumanos. É por isso que a sra. Dilma Vana Rousseff manifestou extremo carinho e compreensão para com o Hamas quando o mesmo estava sendo atacado por Israel.

Você sabia que o PT é um partido que se originou baseando-se nas ideias de Antonio Gramsci? Sabe quem foi Antônio Gramsci? Foi um marxista italiano da primeira metade do século XX que pregava um novo tipo de revolução socialista. Ele acreditava que o melhor modo de os marxistas efetuarem chegarem ao poder e o manterem, a fim de garantirem a revolução, era através do alcance da hegemonia cultural. Em outras palavras, o partido deveria focar em fazer todas as pessoas pensarem e falarem dentro dos moldes marxistas e do partido. Na medida em que isso fosse se tornando parte da cultura, do cotidiano de cada um, do senso comum e do instinto, as ideias do partido se tornariam a suprema verdade e o mesmo se tornaria hegemônico. Para tal, toda e qualquer arma não-fisica era válida. Qualquer coisa que pudesse inculcar na cabeça das pessoas que o partido é bom e não pode ser tirado do poder poderia ser usado.

Antônio Gramsci, aliás, fez uma releitura da famosa obra "O Príncipe", de Maquiavel, onde ele dizia que o partido marxista deveria ser o novo príncipe. Assim, ele aplicava as regras de Maquiavel para a manutenção de poder ao partido, legitimando para o mesmo a ideia de que os fins justificam os meios. A ética de Gramsci funcionava assim:

1. Há um sumo bem;
2. Este sumo bem é a revolução, que criará um mundo perfeito;
3. O partido é o agente capaz de implementar a revolução;
4. Logo, tudo o que beneficiar o partido pode ser feito e justificado, pois é em prol do novo mundo.

Se olhar para o PT, verá que é isso o que rege suas más ações. Lula, por exemplo, confessou em uma palestra que citava números mentirosos só para ganhar simpatia (Aqui tem o vídeo: "LULA FALA MAL DO BRASIL, DIZ QUE MENTE E RI DAS MENTIRAS"). Os escândalos de desvio de dinheiro publico em que o PT está envolvido não são para meramente enriquecer o bolso de seus integrantes, mas para financiar campanhas do partido. Ou seja, faz parte do projeto de manutenção do poder.

Você sabia ainda que o PT era contra programas assistencialistas? O PT considerava isso esmola e uma forma de dominação da classe politica aos pobres. Mudou de ideia ao chegar ao poder. Você sabia que os primeiros programas de assistência foram criados pelo PSDB e que o Bolsa Família é apenas uma continuidade, união e ampliação de antigos programas como Bolsa Escola e Vale Gás? Você sabia que oferecendo o Bolsa Família para 11 milhões de famílias, propagandeando ser o criador da assistência e fazendo terrorismo mentiroso de que o PSDB irá acabar com o programa, o PT consegue mais de 15 milhões de votos?

Você está ciente de que o PT apoia governos que estão afundando seus países, como o de Nicolás Maduro, da Venezuela, que mantém o país com escassez de produtos e inflação? Aliás, o PT é amigo de políticas inflacionarias, tal como todo partido socialista. Afinal, fazer dinheiro é una maneira simples de o governo saldar dividas de empresas publicas deficitárias. Simples para o governo, mas terrível para o povo, já que é a inflação da moeda que gera o descontrole dos preços e a perda do poder de compra. Era o que ocorria no Brasil antes do plano real, que o PT votou contra na época. É o que está perigando ocorrer de novo, ainda que com menor intensidade.

Você sabia que a maioria dos grandes nomes do PT que lutaram contra o regime militar (incluindo a sra. Dilma), queriam implantar uma ditadura comunista? É o que confessa, por exemplo, o ainda hoje esquerdista e socialista Eduardo Jorge, neste vídeo: 

Você sabia que ditaduras comunistas levaram milhões de pessoas à morte em países como o Camboja, o Vietnã, a China, a Coreia do Norte e a URSS, por repressão e falhas em planos econômicos?

Você tem ciência de quantas mentiras o PT tem contado nestas eleições para vencer o PSDB? Por exemplo, a de que o FHC quebrou o Brasil três vezes, enquanto Lula saldou a divida com o FMI. A verdade é que FHC passou por quatro fortes crises internacionais que atingiram principalmente países emergentes. E em vez de recorrer a políticas inflacionárias para pagar dividas (algo que todos os governos anteriores faziam e que Lula faria em seu lugar), pegou empréstimo com o FMI, o que é muito menos pior para a população. Lula, por sua vez, quando resolveu pagar a divida com o FMI simplesmente vendeu títulos da divida para bancos brasileiros. Ou seja, ele saldou a divida com o FMI contraindo uma divida com bancos nacionais. Ele transferiu a divida externa para a interna. Só isso. Mas com um "detalhe": os juros nacionais são mais altos que os juros do FMI.

Outro exemplo de mentira: a de que o desemprego no Brasil é de 5%• Para se chegar a esse numero o IBGE usa uma metodologia totalmente falha, que considera como não desempregado até quem fez um bico na semana da em que foi entrevistado. Veja com seus olhos no site do IBGE:


É uma metodologia totalmente diferente da usada nos países europeus. O DIEESE, aliás, um instituto já antigo de pesquisa do Brasil, indica que o valor na verdade é de 10%. E pela metodologia europeia, seria mais de 20%. As seguintes leituras ajudam a entender melhor:


E por aí vai.

É realmente esse partido que você quer no poder? Um partido que acha que mentir para o seu bem é justificável, que tem um plano de se tornar hegemônico, que simpatiza com terroristas, ditadores e narcotraficantes, que discute estratégias e ações em um Foro com gente da pior espécie! É isso que você quer? Imagine esse partido conquistando a hegemonia que pretende! Imagina esse partido se tornando parte da cultura e da mentalidade da maioria dos brasileiros, incluindo até policiais, delegados e juízes! Imagina uma lei de controle de mídia nas mãos de um partido que alcança essa hegemonia! Tudo isso pode levar ao totalitarismo. Mas mesmo que isso nunca aconteça, você acha que um partido assim deve ficar no poder? Acha que um partido assim vai diminuir a horrenda taxa de 50 mil brasileiros assassinados todos os anos? Acha que esse partido vai conseguir limitar a corrupção? Acha que esse partido vai dar aos brasileiros a condição de andarem com as próprias pernas, sem a necessidade de um Estado-babá que toma conta de tudo, sufocando nossa autossuficiência?

Talvez você venha me dizer que o PSDB também tem um monte de erros. E tem mesmo! Tem corruptos, tem incompetentes, tem idiotas e tem um programa de governo falho em diversos aspectos. Mas não passa de um batedor de carteiras em comparação ao PT, que já é o traficante dono do morro e líder da facção.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A gestão do PSDB entre 1994 e 2002 e as razões da direita para escolher os social-democratas nessas eleições

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Até onde sei, FHC e seu partido, o PSDB, governaram o Brasil em uma época complicada economicamente. O país já vinha quebrado com uma hiperinflação que perdurava desde a época da ditadura e com diversas empresas públicas prestando maus serviços, gerando déficits ou não lucrando o esperado. De quebra, aquele Brasil ainda viria a sofrer com os reflexos de crises internacionais que afetariam principalmente os países emergentes. Ou seja, a economia tupiniquim não vivia dias muito tranquilos.

É claro que existiam muitos outros problemas que afligiam os brasileiros. E é claro que, para o cidadão comum, economia não é algo muito interessante. O que ele quer é ver resultados práticos em sua vida. Práticos e rápidos. Mas é preciso dizer que a economia, essa coisa abstrata, difícil e chata, é um dos principais pilares para resolver os problemas de um país (senão o principal, já que tem outros pilares, como a formação do caráter de um filho, por exemplo, que cabem ao cidadão e não ao Estado). Somente quando acertamos os principais problemas da economia de um país, temos condição de começar a resolver outros problemas.

Pois bem, foi isso o que FHC e o PSDB se esforçaram para fazer em seu governo: dar um jeito na economia. E os resultados foram positivos. O plano real estabilizou a moeda, acabando com a hiperinflação e as privatizações de algumas empresas problemáticas fizeram com que os serviços melhorassem bastante, os lucros aumentassem (gerando mais receita para o governo sem onerar o cidadão) e o crescimento das mesmas, à longo prazo, gerasse mais empregos. O serviço de telefonia é o exemplo que mais se destaca, pois era realmente muito ruim e caro. Hoje qualquer um pode ter um celular.

O governo da época também procurou facilitar a entrada de empresas estrangeiras no país como uma forma de estimular a concorrência e diminuir preços de alguns produtos. Criou ainda a lei de responsabilidade fiscal, a fim de limitar um pouco a má gestão do orçamento público em estados e municípios.

Não podemos dizer que foi um governo perfeito e que todos os problemas econômicos foram sanados. Entretanto, as medidas econômicas tomadas deram ao Brasil a estabilidade necessária para começar a pensar na resolução de outros problemas. E nisso o PSDB, como um legítimo representante da social-democracia, também procurou fazer, ao criar programas sociais como o Bolsa Escola, o Vale Gás e o FIES.

O panorama, portanto, que o PT encontra no Brasil quando assume a gerência do país é o de uma economia centenas de vezes melhor do que quando o PSDB assumiu e com vários programas sociais que poderiam continuados (e, de fato, foram. O Bolsa Escola, o Vale Gás e outros programas acabaram sendo reunidos no Bolsa Família pelo PT, que, vale lembrar, não concordava com a existência deles, chamando-os de esmola). Em outras palavras, o PT entra com a faca e o queijo na mão, já não necessitando focar tanto na questão econômica, mas podendo pensar na resolução de outros problemas.

Do meu ponto de vista, a gestão do PSDB foi positiva. Em primeiro lugar, porque os problemas econômicos do Brasil eram bem graves e o contexto não ajudava nem um pouco. Ainda assim, a gestão os atacou com eficiência. Em segundo lugar, porque nenhum governo é capaz sanar todos os problemas de um país enorme como o Brasil em apenas oito anos de gestão. Pensar que o governo FHC conseguiria, além de resolver problemas econômicos graves, resolver completamente os problemas de saúde, educação, segurança pública, miséria, infraestrutura e etc. do Brasil em oito anos é exigir o impossível. Não estamos falando de um país com o tamanho de uma Suíça.

Assim, não vejo sentido em julgar o governo do PSDB como um governo que deveria ter feito mais e sim como um governo que preparou um bom terreno para o governo que o sucedeu. Não vejo sentido em ver a gestão de FHC como uma gestão que falhou em resolver outros problemas além da economia e sim como uma gestão que deixou as coisas mais arrumadas para o governo seguinte. Isso não significa dizer que a gestão foi perfeita, que não tomou decisões ruins e que foi isenta de erros, mas é apenas reconhecer que ela fez muito pelo Brasil em uma época complicada e que o saldo final foi positivo.

Quaisquer que sejam as comparações entre os governos PT e PSDB, portanto, precisam levar em conta elementos básicos como o contexto nacional e internacional em que cada gestão assumiu o Brasil, os problemas prioritários que precisavam ser resolvidos em cada época e os resultados conquistados em relação um ao outro e em relação ao seu contexto. Esse tipo de comparação é mais complexa, demanda mais tempo e paciência, porém é mais justa.

Das análises que tenho feito, tenho chegado à conclusão de que o governo PSDB foi superior ao do PT e que, assumindo em um contexto econômico mais tranquilo em comparação ao de outrora, tem boas chances de atuar bem em muitas das áreas às quais, naquela época, não era possível fazer grandes coisas e/ou não foram dadas tanta atenção.

Não obstante, deve-se ter em mente que isso não quer dizer que uma nova gestão do PSDB irá acabar com os problemas na saúde, educação, segurança pública e etc. Primeiro, porque, como já dito, não se muda grandes problemas em alguns poucos anos. Segundo, porque, o PSDB não é um partido de direita. Ele é de esquerda moderada. Oscila entre esquerda e centro. Como um legítimo representante da social-democracia, sabe o valor do capitalismo, mas não abre mão dos cacoetes esquerdistas de querer domar a economia como um cavalo adestrado e de enxergar o Estado como uma mãezona que deve educar seus filhos. O primeiro cacoete inviabiliza o surgimento de novas ideias que integrem a iniciativa privada às resoluções de problemas sociais. Um governo assim, por mais que abra algumas concessões ao livre mercado para que a economia cresça e respire, sempre continuará crendo que pode abraçar o mundo e resolver a maioria das coisas através da ação direta do Estado, o que sempre acaba gerando má administração, corrupção e autoritarismo.

O segundo cacoete inviabiliza a criação de leis penais mais rígidas, melhores sistemas de fiscalização e o respeito às leis. Um governo assim, dificilmente conseguirá combater com eficiência a corrupção (seja nos altos ou nos baixos escalões), o sentimento de impunidade, o desrespeito à autoridade, a reincidência de crimes que poderiam ser evitados e etc.

Num país de dimensões continentais como o Brasil, com um péssimo passado econômico, um horroroso histórico de corrupção e uma sucessão de governos autoritários, isso tudo desde que passou a existir como país independente, é praticamente impossível que um governo social-democrata consiga transformá-lo em uma Suécia, por exemplo, que o que é hoje justamente porque tem uma história oposta a do Brasil em tudo o que acabei de falar.

Meu voto nesse segundo turno (como foi no primeiro) vai para o Aécio Neves, do PSDB, não porque eu pense que ele dará jeito em tudo (nem se ele fosse de direita eu acharia isso, aliás), mas porque a social-democracia está mais próxima daquilo que eu acho que seria o melhor para o Brasil. Meu voto vai para o Aécio porque não acredito em governos de esquerda e, na falta de um candidato e um partido de direita, o melhor é votar em social-democratas.

Há quem diga que esse tipo de voto é voto pelas elites, que não ser de esquerda é ser contra o pobre. Mas não é verdade. Ser de direita é simplesmente entender que dá para sentar e pensar em maneiras mais eficientes de cuidar do país e dos pobres sem precisar fazer do Estado uma mãezona. Para quem gosta de programas sociais, não é sequer necessário abandoná-los. Convido-o a pensar, por exemplo, em um governo que em vez de gastar rios de dinheiro com escolas públicas, transferisse aos poucos os alunos para bons colégios privados, financiando a mensalidade de cada um e dando aos pais a oportunidade de transferir o aluno de colégio se achar necessário? É difícil? Há possíveis problemas? Pode ser, pode ser. Mas como eu falei, é necessário pensar. Sentar e pensar.

No mais, qualquer pessoa sensata sabe que se um país estimula a iniciativa privada e a concorrência, os produtos tendem a ficar mais baratos e melhores, mais empresas tendem a surgir e, com isso, mais empregos. Isso, à longo prazo, é o melhor tipo de programa social existente.

Qualquer pessoa sensata sabe também que violência e corrupção só podem ser controladas com leis rígidas, que imponham respeito ao criminoso, ou que, no mínimo, o mantenha impossibilitado de cometê-lo novamente contra o cidadão honesto. A taxa de cinquenta mil assassinatos anuais no Brasil só irá diminuir se o sujeito que matar uma vez não puder matar de novo. E para isso é necessário haver leis rígidas.

Ser de direita é simplesmente tentar melhorar as coisas sem depositar confiança em esperanças utópicas como um governo repleto de homens de ótimo caráter e perfeita noção de administração. É tentar melhorar as coisas reconhecendo que ninguém é perfeito, que alguns são corruptos, que outros são maus gestores e que é preciso criar mecanismos inteligentes para limitar ao máximo os prejuízos que a imperfeição humana causa a nós mesmos.

Aqui ficam expostas, portanto, as minhas razões para votar no candidato e no partido social-democrata. Em suma, eles são os que, atualmente, mais se aproximam do que julgo ser bom para o Brasil. Mas também há motivos para simplesmente não votar no PT, tais como o fato de este ser um partido de origem/orientação marxista (ideologia que só causou genocídios, miséria e perseguição nos países onde tentou ser implantada), de ter ajudado a criar no início dos anos 90 (e fazer parte até hoje) do Foro de São Paulo - uma organização que reúne vários partidos de esquerda da América Latina, juntamente com organizações terroristas e narcotraficantes como as FARC -, de não apresentar qualquer preocupação com os 50 mil mortos assassinados no Brasil anualmente, de defender terroristas islâmicos, de aparelhar empresas estatais, de ser a favor de um Estado altamente interventor e eteceteras.

Além de tudo isso, há o fator democracia. Não é bom para a democracia que um partido fique eternamente no poder. É perigoso. Está na hora de mudar. Entrando, porém, o PSDB na gestão brasileira, certamente não cessarei de fazer minhas críticas, tampouco considerarei ideal que social-democratas estejam no poder. Esta é a minha posição.

sábado, 30 de agosto de 2014

Como tratar um homossexual (princípios básicos)

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Ao amigo ou amiga homossexual:

Para mim, tua opção sexual não torna-te diferente de ninguém. És um ser humano como qualquer outro e eu o amo, tal como a qualquer indivíduo. Não quero o teu mal, não quero o teu sofrer. Se levares um tombo na rua, eu estenderei a mão para te levantar. Se te quiserem machucar, eu intervirei para tentar defendê-lo. Se algum dos meus amigos o humilhar, em público ou a sós, darei ao mesmo uma grande bronca. Se ficares doente, orarei por ti. Se me pedires atenção, eu lhe atenderei. Não ligarei de ouvir tuas mágoas e de oferecer-lhe um conselho. Não me importarei de ser-te um amigo. 

Torcerei pelo teu sucesso. Quererei ver-te em um bom emprego e feliz. Quererei ver-te bem com tua família, que é o bem mais importante do mundo. Quererei ver-te saudável e completo. 

Por quê? Porque és humano como qualquer outro. E o Deus ao qual eu sigo, o Deus da Bíblia, me ensina a não fazer distinção entre pessoas, mas amar a todos como Ele ama. Este Deus me deu muitos exemplos de como devo amar as pessoas. Sem dúvida, porém, o maior deles foi ter-se entregue para morrer na cruz. Ali, Ele me fez entender o que é amar. Por isso, eu procuro amar a ti, independentemente do que Tu fazes em tua vida privada.

Isso não quer dizer que concordo com teu estilo de vida. Na verdade, o amor não está em concordar com tudo o que faz a pessoa a quem se ama, mas sim, mesmo não concordando, ainda assim querer bem. Ama mais aquele que ama sem concordar do que aquele que ama apenas aqueles com quem concorda. Eu não concordo com o que fazes. Mas quero que saibas que és importante para mim. Para mim e para Deus.

Que Deus esteja contigo.

domingo, 10 de agosto de 2014

O deus do Evangelho Libertário (ou: Analisando a "Caiofabiologia")

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Um amigo meu me mostrou há algum tempo um vídeo do Sr. Caio Fábio, líder do segmento religioso "Caminho da Graça". No vídeo em questão, o ex-pastor da igreja Presbiteriana é questionado por um internauta sobre se Jesus Cristo é Deus. O leitor se dizia estudante de filosofia e afirmava que algumas passagens da Bíblia lhe davam a impressão de que Jesus é menor que o Pai, que Jesus não é Deus, embora seja uma criatura muito evoluída. Para quem quiser ver o vídeo, coloco-o abaixo:


Bom, como é hábito meu, resolvi fazer algumas considerações por escrito sobre o vídeo do Caio Fábio, após assisti-lo. Antes de tudo, porém, gostaria de falar um dos motivos pelo qual não gosto do Sr. Caio: ele tem uma habilidade incrível de misturar verdades com mentiras. É, de fato, uma habilidade fantástica, pois quem consegue fazer isso bem, torna suas mentiras atrativas. É o que pretendo mostrar a você nessa análise. Vamos ao que interessa.

Repare que Caio Fábio, nesse vídeo, quer vender a ideia de que Deus é absurdo, impossível, que não cabe dentro da “caixinha”, que está totalmente além da nossa razão humana, que é incompreensível para o homem e que só pode ser sentido; sentido através da fé. Há muitas verdades aqui. Para nós, humanos, por exemplo, é absurdo pensar em algo que não tenha início. É algo que não conseguimos compreender direito. Isso não cabe em nossa mente finita. Mas Deus não tem início. Ele é eterno. A eternidade é absurda para a compreensão humana. 

Para nós, humanos, a Trindade também é absurda. É impossível entende-la em sua plenitude. Afinal, nós não somos seres triúnos. E é difícil você entender algo que você não é, nem nunca passou pela experiência. Mais que isso: É difícil compreender algo que não tem igual para se comparar. Não há exemplo na realidade que se compare a Trindade. E o ser humano só consegue compreender algo plenamente quando ele pode comparar. A Trindade é única e, portanto, incomparável.

Para nós, humanos, o amor de Deus também é absurdo. Simplesmente não é o que nós esperaríamos se Deus funcionasse da maneira como estamos acostumados a ver as coisas no mundo. Um amor tão forte a ponto de causar a morte de um Ser sem pecado para salvar seres imundos... Isso é o absurdo dos absurdos. Enfim, nesse sentido, Caio Fábio está certo. Deus está além da compreensão plena do ser humano. Ele está além do entendimento habitual do homem (o que é normal: Ele é Deus; nós somos meras criaturas finitas).

Agora, esse absurdo que Deus é para nós, humanos, não é um sinônimo de ser ilógico, irracional e sem sentido. Quando falo de lógica, razão e sentido, me refiro a um padrão de realidade que é imutável. Por exemplo: não existem coisas como um quadrado triângulo, um casado solteiro, um corrupto honesto, um preto branco. Estas coisas não existem porque a simples ideia delas é contraditória. São coisas ilógicas, irracionais, sem sentido. Se eu disser (para citar outro exemplo) que Deus é plenamente bom e plenamente mal, você saberá que estou falando algo impossível. Uma coisa anula a outra. Em outras palavras, existe um padrão lógico-racional na realidade. É um padrão de sentido que nunca é quebrado. Ele é inerente à realidade e à existência. O que quer que exista, se enquadra nesse padrão.

Você pode dizer: “Mas esse padrão pode ser quebrado por Deus, pois Ele o criou e está acima dele”. Está errado. Esse padrão não foi criado por Deus. Ele faz parte do próprio Ser de Deus, assim como o amor também não foi criado por Deus. Deus é amor. O amor é inerente à essência de Deus. É tão eterno quanto Deus porque é parte do próprio Deus. 

Se você entende isso, percebe que Deus é absurdo não no sentido de ser uma contradição lógica. Ele é absurdo, não no sentido de fugir a esse padrão de sentido da realidade. Ele é absurdo, mas não no mesmo sentido de ser capaz de ser plenamente bom e plenamente mal ao mesmo tempo, ou de ser corrupto e honesto ao mesmo tempo e etc.

Deus é absurdo em dois sentidos: (1) o de que a sua natureza é inigualável e está além do mundo físico, escapando, por isso, à nossa plena compreensão; e (2) o de que Ele quase sempre faz as coisas de modo diferente ao que esperaríamos ou estamos acostumados. Em ambos os sentidos não há quebra de razão e lógica, mas apenas a quebra de nossas expectativas humanas. Esperamos que Deus aja conforme nós agiríamos, ou que faça sentido à luz de nossos hábitos e nossa compreensão finita. E isso realmente não acontece. 

A salvação do ser humano por meio de um Deus que se faz homem mortal e simplesmente morre na cruz é o melhor exemplo disso. Não é o que esperávamos como seres de mente finita. Todos esperavam um herói, que arrancaria as cabeças dos romanos e seria o mais novo Alexandre o Grande. Esperávamos um Hércules, um Kratos, um Deus da Guerra. Então, ele veio como um cordeiro e morreu. Parece uma derrota. Parece não ter sentido. Parece, porque quebra com nossas expectativas. Mas só parece. Não quer dizer que realmente não tenha sentido, que não seja lógico e racional, que não possamos entender, ainda que seja estranho à primeira vista.

C. S. Lewis, ao falar sobre milagres, nos dá um exemplo muito interessante para mostrar que milagres não quebram as leis da natureza. Ele pede que imaginemos a seguinte situação: todo dia ele coloca três moedas dentro de sua gaveta. No final de quatro dias, quantas moedas ele terá? Doze moedas, não é? Mas se ele abrir a gaveta no quarto dia e lá só tiverem seis moedas? Ele deve concluir que as leis da matemática e da lógica foram quebradas? Claro que não! Essas leis nunca são quebradas. Três vezes o quatro sempre será igual a doze. O que ocorreu foi que alguém tirou seis moedas de lá. Então, o que foi quebrado não foram as leis da lógica e da matemática, mas apenas a nossa expectativa humana. E a nossa expectativa humana foi quebrada porque não contava com esse fator de que um ladrão tiraria seis moedas da gaveta.

A conclusão de C. S. Lewis é que é tolice dizer que milagres quebram leis da natureza. O que os milagres quebram são nossas expectativas, pois esperamos sempre que os eventos naturais ocorram sem a intervenção de Deus. Quando há uma intervenção, obviamente o evento não ocorrerá como esperávamos. O resultado será diferente. Mas as leis continuam intactas.

Sempre uso o exemplo da maçã. Se jogo uma maçã do quinto andar em direção ao chão, eu espero que ela vá atingir o chão. Mas se antes de ela atingir o chão, alguém estica a mão pela janela, lá no segundo andar, e pega a maçã, minha expectativa será frustrada. Isso não quer dizer que a lei da gravidade deixou de existir naquele momento, mas sim que um fator com o qual eu não contava entrou na equação: a mão de uma pessoa interceptando a queda da maçã.

É claro que, no caso das leis da natureza, elas podem ser revogadas se Deus desejar. Afinal, elas sim foram criadas por ele. Se Deus quiser tirar a gravidade da Terra, Ele a tirará. Mas no caso do padrão lógico-racional da realidade, isso não pode ser quebrado, pois é inerente à realidade e inerente a própria essência de Deus. O que se quebra são sempre as expectativas humanas.

Caio Fábio, no vídeo, pretende obscurecer este entendimento com o objetivo de desestimular o estudo racional da Bíblia. Para isso, ele vende a ideia de que esse padrão lógico-racional de realidade não existe. Ele faz o expectador acreditar que a razão e a lógica são invenções humanas ou, no máximo, criações de Deus. Com isso, somos levados a crer que Deus está além de toda a razão e lógica. Ao fazer-nos aceitar isso, ele pode se dar ao luxo de transformar a teologia e todo o conhecimento e estudo da Bíblia em lixos, em inutilidades. Você não precisa estudar. Você precisa crer. Só isso. Essa é a mensagem de Caio Fábio.

Repare que ele se recusa a responder a pergunta do espectador. Eu teria dezenas de respostas satisfatórias para oferecer baseadas no estudo lógico da Bíblia. Mas ele apenas se limita a dizer que o espectador que faz a pergunta é um “filosofozinho de merda” (traduzindo), que essa questão não tem resposta e que o espectador precisa crer para poder ficar satisfeito. Caio Fábio passa deliberadamente por cima de dezenas de passagens bíblicas que nos dizem para estudar e ser racional.

Mas o mais importante vem agora: Caio Fábio não faz isso sem perceber. Ele sabe muito bem o que está fazendo. Sabe como eu sei disso? Por duas coisas: 

(1) No vídeo ele faz questão de enfatizar a todo o momento que Ele já estudou tudo o que o espectador está estudando, que ele já sabe tudo o que o espectador vai perguntar, que ele já fez todos esses questionamentos, que ele detém amplo conhecimento bíblico, que ele já estudou teologia e filosofia a vida inteira, enfim, ele é o cara. Então, quando ele diz que o espectador não precisa estudar, o resultado final de seu discurso se traduz assim: “Aceite o que eu tô falando porque eu sei mais que você. Não precisa estudar, porque eu já estudei e sei tudo o que você precisa saber. Apenas acredite em mim”. 

(2) Na entrevista que ele oferece a Gentile, a primeira coisa que ele diz é que os evangélicos são ignorantes, que não querem ter conhecimento, que ele ofereceu durante trinta anos conhecimento para as mais diversas denominações e que agora ele mantém um programa chamado “Papo da Graça” onde ele ensina as pessoas a pensar.

Pense um pouco comigo, amigo leitor: Se por um lado ele diz que Deus é absurdo, que está além da razão, que não adianta tentar estudar teologia e Bíblia, que é desnecessário responder as nossas dúvidas (é o que ele diz ao cara que fez a pergunta), mas, por outro lado, afirma que os evangélicos precisam muito de conhecimento, que as denominações não oferecem conhecimento e que ele tem se esforçado para dar esse conhecimento aos evangélicos, o que você acha que ele está dizendo? É lógico. Ele está dizendo: “Tudo que não vem de mim está errado. Estude só o que eu digo, creia em mim e seja feliz!”.

Agora, somos capazes de entender toda a estratégia de Caio Fábio. Ele primeiro fala algumas coisas ambíguas como, por exemplo, que Deus é absurdo. Dizendo isso, ele ganha todos os cristãos, porque, em certo sentido, Deus é absurdo mesmo. Depois ele começa a transformar essa absurdidade em sinônimo de estar além da razão e da lógica. Aqui ele ganha quem está despercebido. O despercebido não repara que nesse sentido as afirmações de Caio estão erradas. Ele é enganado pelas palavras. Em seguida Caio despreza todo o estudo da Bíblia, da teologia e da filosofia, pois Deus está além disso. Como o despercebido já foi enganado no nível anterior, ele aceita essa afirmação também, como conseqüência. É neste momento que Caio Fábio começa a fincar sua autoridade, dizendo que ele é o único líder que detém o verdadeiro conhecimento e que os cristãos precisam disso. Pronto! Substituímos a teologia e a filosofia bíblica pela “Caiofabiologia”, uma matéria onde conhecemos Deus através do que Caio Fábio fala sobre a Bíblia. Sim, não deixa de ser fé.

Não estou dizendo, amigo leitor, que o Caio Fábio seja um farsante, um maldoso, que quer desviar os cristãos e destruir a vida das pessoas. Ou que ele é um desonesto que quer angariar evangélicos para o adorarem. Não! Acho que ele realmente está fazendo o que acha que é certo. A história do Caio é a história de muita gente. Ela se resume no seguinte: Ele se decepcionou com todas as denominações, começou a achar que nada de bom pode sair das igrejas tradicionais e concluiu que ele era um dos poucos que detinha a verdade. Como ele era pastor, decidiu continuar sendo um líder espiritual. Assim, criou um movimento que se baseia nessa verdade que ele acredita ser um dos poucos a possuir. Então, é natural que ele queira que as pessoas abandonem qualquer estudo teológico tradicional e focalizem suas mentes no que ele diz. Porque ele acha mesmo que detém a verdade. E ele desenvolve essa visão de possuidor da verdade através de um profundo ódio a quem está em denominações. Quanto mais ele odeia quem está nas denominações, mais ele acredita que é o único líder que detém a verdade. 

Não tenho como apreciar as ideias de um homem como esse. Ele pode ter a melhor das intenções, mas, para mim, ele não é nada diferente de homens como Edir Macedo e Valdemiro Santiago. Trata-se de um herege que está afastando as pessoas de estudarem a Bíblia Sagrada, que está desabituando as pessoas a estudarem e debaterem educadamente, que está centralizando as atenções nele. Seus seguidores são exatamente iguais aos seguidores de Macedo e Valdemiro: não sabem debater ideias. A diferença é que um grupo diz que você está endemoninhado, enquanto o grupo do Caio Fábio diz que você é religioso, hipócrita, fariseu e manda você tomar no c*. Debate inteligente e educado você não vai encontrar. Nenhum deles está interessado em Bíblia, mas em líderes humanos. 

Vou lhe dizer no que acredito, amigo leitor: acredito que o cristão deve ser inteligente o suficiente para ouvir o que os outros cristãos tem a dizer e a responder com honestidade e racionalidade, sempre baseado na Bíblia. Deve estar sempre aberto ao fato de que pode estar errado e sempre disposto a mudar de ideia quando, após acurada reflexão e estudo, descobre que defendia uma inverdade. Deve, acima de tudo, amar, respeitar e buscar entender todos os cristãos, tanto os liberais, que acham que graça é ter liberdade para fazer tudo, quanto os legalistas, que se prendem tanto ao pode-não-pode, que se tornam hipócritas e acusadores. 

Caio Fábio tem se esforçado arduamente para não fazer nada disso. É por isso que não tenho como apreciar suas ideias e sua pessoa. Eu sou prudente demais para cair no conto do vigário; tanto de um lado, quanto do outro. Eu fico com o equilíbrio em Cristo e a fé inabalável em sua Palavra. E meu conselho/lema para todos os cristãos continua sempre sendo o mesmo: “Não acredite no que estou falando só porque eu estou falando. Estude mesmo, meta as caras”.

A democratização da imbecilidade e da devassidão

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Outro dia começou uma discussão sobre o funk carioca em uma aula que tenho na faculdade. Não me lembro como começou. Só sei foi mencionado a frase que uma professora universitária postou em seu face sobre o funk carioca. Ela contava que não estava conseguindo dormir com aquelas músicas altas tocando às três da madrugada em algum baile da vizinhança. E ratificava: "Se funk é cultura, exame de urina também é". A frase rendeu uma polêmica do cão e, ao ser relembrada na sala de aula, não deixou de acalorar os ânimos.

Mas não digo que chegou a causar polêmica. Quando em uma sala com mais de trinta alunos, apenas três ou quatro pessoas tem uma opinião divergente do assunto em discussão, e, apenas uma dessas três ou quatro pessoas diverge radicalmente, sendo as outras bem moderadas, o que temos não é uma polêmica, mas uma semi-unanimidade. Foi o que ocorreu naquele dia. Os ânimos acalorados eram puro histerismo. Histerismo de quem está tão acostumado a não receber oposição que se assusta ao ver uma ideia contrária.

Na concepção dessa maioria histérica que lá se encontrava, funk é cultura tal como qualquer outra coisa fabricada pelo ser humano também o é. De fato, isso é uma das várias definições da palavra "cultura"; palavra elástica, que Alfred Kroeber e Clybe Kluckhonh, autores de "Culture: A Critical Review of Concepts and Definitions", apontam para a existência de, pelo menos, 167 definições diferentes. Entre essas tantas definições existentes, há uma que é a definição popular, a definição do povão. Essa definição seria mais ou menos o seguinte: "Cultura é qualquer manifestação artística ou conjunto de pensamentos e hábitos coletivos que sejam bem elaborados e cujo valor não contradiga a moral e a dignidade do ser humano".

Conforme esta definição, eu não poderia considerar cultura o infanticídio regular praticado por determinadas comunidades humanas ou algum pirado que resolveu colocar um papel higiênico sujo de merda no meio de sua sala, ao lado do vaso de plantas, dizendo que isso é uma tradição da sua comunidade. Não, amigos, isso não é cultura, segundo esta definição popular, e qualquer pessoa simples, pobre e analfabeta concordaria que não é.

O mesmo pode-se dizer de grande parte dos funks cariocas, sobretudo, aqueles que são denominados carinhosamente de "proibidões", justamente por conterem apologia direta, clara e extensiva ao tráfico de drogas, à marginalidade, à pedofilia, ao adultério e à devassidão. Mesmo aqueles que não são proibidos, estão, em sua maioria, permeados de apologias a uma má conduta.

Além do mais, geralmente são músicas burras. Sim, burras, com pouco conteúdo, dito de forma pobre, com repetições infindáveis. O ritmo, segue o mesmo padrão. Uma batida incessantemente repetitiva, cheia de sons destoantes, sem harmonia e que leva o cérebro a um estado de caos, agitação e vazio intelectual. Não que músicas agitadas sejam um mal em si, mas a mistura criada por boa parte dos funks cariocas é perniciosa. Ela inclui, em uma grande sopa mórbida, agitação e idiotice, caos e liberação dos instintos animalescos, sem dar espaço para reflexão, sem permitir que o coração seja tocado em algum ponto da melodia e que o cérebro retire alguma boa lição que tenha sido inteligentemente amalgamada ao ritmo veloz.

Para piorar, ele ainda inclui em sua mistura maligna cantores que simplesmente não são cantores. São pessoas de vozes desentoadas, desafinadas, fracas, estridentes e feias. Não, não se trata de preconceito. É pós-conceito. Chego a essa conclusão após ouvir muitos e muitos funks cariocas (não por vontade própria, mas por imposição de muitos funkeiros, que não sabem ouvir sua música para si mesmos e precisam colocá-las em caixas altíssimas de som para toda a cidade ouvir). Não, não é preconceito e eu provo. Embora eu não goste de funk, reconheço que a Srta. Anitta, que canta, entre outras músicas, a "O Show das Poderosas", tem uma boa voz. Ela sabe cantar. E, por mais que as letras de suas músicas não me agradem nem um pouco, elas tem alguma harmonia. Contudo, o que mais tenho ouvido do funk carioca são conjuntos de barulhos repetitivos com uma letra imoral.

Os histéricos que estavam na sala, naquele dia, tem muitos histerismos para lançar como objeções ao que estou dizendo. Um deles é que estou sendo elitista. É típico de quem se acha o revolucionário e defensor dos pobres. Respondo que minha posição nada tem a ver com condição social. Os melhores e mais inteligentes sambas e chorinhos que já foram escritos na face da terra saíram da cabeça de favelados dos anos 20, 30 e 40. Todo mundo sabe disso. Eram pessoas que nasceram em meio à pobreza, mas que escreviam melhor que qualquer "filhinho de papai". E que melodia! Não curto samba, mas os sambas dessa época eram bons. Procure no Google por homens como Otávio de Souza, Pixinguinha e Cartola (o primeiro, um humilde mecânico, os dois últimos, negros e favelados) e veja a profundidade das letras que eles compunham. Obras primas! 

Não, meus amigos. Não tenho nada contra pobres. Sou um deles. Meu salário não financia nem a metade do valor dos carros que meus professores comunistas tem. Não tenho casa própria. Não moro na zona sul. E não, eu não tenho a oportunidade de poder só estudar, como muitos dos histéricos daquela sala têm. Eu trabalho duro, em empresa privada. E se eu não for eficiente, serei mandado embora (com justiça!).

Minha crítica é à idiotice e à imoralidade. Ou melhor, nem isso. Seja idiota e imoral quem quiser ser. A minha crítica é a um patota ridícula que deseja me obrigar a considerar bom, bonito, normal e cultural vozes desentoadas e desafinadas cantando imoralidades e idiotices, acompanhadas de um conjunto de barulhos frenéticos sem harmonia.

À pretexto de ajudar os pobres, os gurus dessa patota histérica democratizaram, em um passado não muito distante, a imbecilidade e a devassidão. E agora esses histéricos, que são seus filhos, querem que eu aceite isso como uma vitória da sociedade. Mas eu permaneço firme em minha posição: papel higiênico sujo de merda no meio da sala não é cultura. É insanidade.